PSOL defende “aproximação” da esquerda com evangélicos

Nova estratégia mostra fracasso da ideologia junto às classes populares


Marcelo Freixo
Marcelo Freixo

Em 2012, o Brasil vivia um período de transição, enquanto Dilma tentava sair da sombra de Lula e fincar as bases do seu governo, que se mostraria desastroso em todos os sentidos. Alguns líderes evangélicos haviam rompido com o PT ao perceber que o partido não cumpriria suas promessas de campanha.

No Fórum Social Mundial daquele ano, em Porto Alegre, o então secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, externou suas preocupações em relação a ascensão dos evangélicos na política e disparou: “É preciso fazer uma disputa ideológica com os líderes evangélicos pelos setores emergentes!”. Propôs então criar-se uma “mídia estatal” para a classe C e assim controlar a ideologia da população emergente.

Na ocasião, alguns deputados evangélicos e pessoas de influência no meio, como Silas Malafaia, denunciaram a intenção do PT e reforçaram sua intenção de combater a ideologia esquerdista que se fortalecia no Brasil. Carvalho fez um jogo de cena, pediu desculpas, mas nunca ficou claro qual era o seu plano.

Ele saiu do governo em 2014 e o projeto de poder das esquerdas naufragou dois anos depois. Apesar das controvérsias, por iniciativa de Eduardo Cunha, um deputado ligado aos evangélicos.

Agora, através da Carta Capital e do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL/RJ) se desenha uma nova estratégia às vésperas da eleição. No melhor estilo “se não pode vencê-los, junte-se a eles” Freixo afirmou ao Huffington Post: “Sou daqueles que acham que não vai ter nenhum processo revolucionário se o Brasil não entender o papel dos direitos humanos na luta pela vida e na superação do medo”.

Em seguida, complementou enfatizando que sua ideia não é “disputar com os conservadores, mas é trazer esse universo popular evangélico para uma perspectiva popular de esquerda. Esse é um desafio nosso”.

Obviamente ele faz distinção entre os principais líderes das igrejas e a “massa”. Quando era candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro em 2016, Freixo atacou seguidamente Marcelo Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus. Acabou derrotado. Se pretende o Senado, como se especula, terá de enfrentar Flávio Bolsonaro (PSL/RJ), que é membro de uma igreja batista.

Diferentemente de Jean Wyllys, do mesmo partido, das opções do PSOL de Freixo é investir no pastor Henrique Vieira, que contraria posições históricas dos evangélicos defendendo o abordo, o casamento gay e a ideologia de gênero. Em participações em programas da Globo e nos seus vídeos, o pastor pede para que não se “generalize” os evangélicos. Repetindo os clichês de esquerda, ataca os líderes conservadores, classificando-os de “coronéis da fé” e “mercadores da religião” e “fiscalizadores de corpos”.

Esquerda quer ser o “Espírito Santo”

No mês passado, a revista Carta Capital – que, conforme os áudios vazados pela Lava Jato é a porta-voz oficial das ideias de Lula – também deu indícios que a estratégia da esquerda é atrair os evangélicos.

Em entrevista, a cientista política Clarisse Gurgel fez uma série de afirmações que deixam claro essa nova perspectiva, que busca um terreno comum, por mais impensável que isso seja, uma vez que comunismo pregado por eles é ateísta em sua raiz.

Comparando evangélicos e militantes da esquerda, asseverou: “podemos identificar uma demanda comum entre os que vão aos atos e os que vão aos cultos e que ganha feições disto que aparenta ser uma demanda por repressão. Talvez, falte a nós da esquerda lidarmos com isto que é enigmático, contraditório e que aponta para algum papel comunal da disciplina. Caso contrário, o que há em comum entre fiéis e militantes passa despercebido.”

Deixou claro ainda que “A classe trabalhadora busca por limites e encontra na Igreja a ideia de segurança, de tranquilidade e de salvação… a igreja dá forma ao fiel. É sua formadora”.  Para a estudiosa, “As Igrejas Evangélicas costumam promover as soluções individuais para problemas coletivos. Isso encontra um terreno muito fértil na crise do capital”.

Ela não tem pudores em articular uma heresia, comparando o ideário de esquerda com a ação do Espírito Santo. Citando o Livro de Atos, insiste que Paulo é “como um militante orgânico, propaga as concepções de um profeta chamado Jesus Cristo” e “um revolucionário, que defende o que nunca testemunhou, descreve a forma como Cristo era compreendido por todos, independente de suas etnias, culturas e línguas”.

Prossegue em seu delírio, insistindo que “Fazendo uso de parábolas, Paulo começa a narrar a história de um som que veio do céu, como de um vento impetuoso, que encheu as casas dos assentados, e de línguas de fogo que pousaram sobre cada um deles. A esquerda poderia assumir esta forma impetuosa, cumprindo papel de produção de uma linguagem comum entre os que trabalham. Infelizmente, sua atuação hoje já não chega aos locais de moradia, o tráfico e a Igreja cuidaram de dificultar fortemente este exercício”.




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