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Saiba o que está por trás dos protestos no Irã

Manifestantes pedem que governo iraniano pare de financiar o terrorismo mundial


Nos últimos dias de 2017, milhares de pessoas começaram a tomar as ruas de cidade iranianas para pedir melhores condições de vida. O primeiro protesto foi na cidade de Mashhad, um dos lugares mais sagrados do islã xiita, e acabou se espalhando por todo o território. A mídia inicialmente divulgou que eram atos contra o aumento do desemprego e da inflação, mas as filmagens que circulam na internet mostram que a população está exigindo não apenas reformas políticas, mas sim uma mudança de regime.

Os protestos cresceram e se espalharam pelo Irã, principalmente em cidades como Teerã, Kermanshah , Shiraz , Rasht , Qom , Hamedan , Ahvaz , Isfahan , Zahedan, Qazvin e Sari. O governo está respondendo com violência, havendo o registro da morte de pelo menos 13 pessoas, enquanto centenas de manifestantes foram presos.

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Para alguns analistas, como o Dr. Majid Rafizadeh, do Gatestone Institute, o regime islâmico está passando por um verdadeiro “terremoto político”. Soldados da Guarda Revolucionária, forças leais ao governo entraram em ação. Apesar da força brutal que está sendo utilizada para acabar com essas manifestações pacíficas, os iranianos estão enchendo as ruas para desafiar o regime dos aiatolás, mostrando querer o fim da ditadura islâmica.

A escalada desses protestos é algo sem precedentes desde que formou-se a República Islâmica do Irã, após a revolução religiosa de 1979, quando um regime teocrático foi estabelecido no país. Em 2009, durante uma revolta popular chamada de “Movimento Verde”, as pessoas protestavam contra as eleições fraudulentas e a presidência de Mahmoud Ahmadinejad, mas o governo rapidamente silenciou os manifestantes.

No regime iraniano, acima do presidente Hassan Rohani está o “líder supremo”, aiatolá Ali Hosseini Khamenei. Por isso, chamou a atenção do mundo que os iranianos estão arriscando suas vidas ao bradar “Morte a Khamenei”, um crime gravíssimo segundo com o clero islâmico. De acordo com a lei sharia em vigor, punível com a morte.

As pessoas estão repetindo palavras de ordem como “Morte a Rohani”, “Que vergonha Khamenei, desista do poder”, “Morte ao Ditador” e “Morte à República Islâmica”. Os manifestantes também estão arrancando os pôsteres que ficam espalhados pelas cidades com os rostos dos líderes supremos do Irã, Khomeini (líder da revolução de 79) e do atual.

Na teocracia islâmica do Irã, de maioria xiita, muito dinheiro foi investido para patrocinar grupos terroristas em diferentes partes do mundo, como o libanês Hezbollah e o palestino Hamas. Ademais, exerceu grande influência nas guerras da Síria e do Iêmen, onde lutou ao lado de soldados russos.

Os iranianos estão fartos de ver tanto dinheiro investido na promoção de guerras e não no bem-estar da população. Portanto, não surpreende que algumas das palavras de ordem mais ouvidas em todo o país são: “Esqueça a Palestina, esqueça Gaza, pense em nós”, “Morte ao Hezbollah”, “O povo vive como mendigos/Khamenei vive como um deus” e “Deixe a Síria para lá, pense em nós”.

Após anos sendo ensinados a acalentar o ódio pelo Ocidente e a fazer protestos raivosos, onde bradavam “Morte aos Estados Unidos” ​​e “Morte à Israel”, a população iraniana parece disposta a encarnar o provérbio “o feitiço virou contra o feiticeiro”.

Também é sintomático que o símbolo desses protestos é uma jovem (que nunca teve o nome revelado) usando um véu islâmico amarrado a um cabo, simulando uma bandeira branca de paz. Muitas estão repetindo o gesto. Ao que consta, ela foi presa desde que imagem viralizou, pois é crime no Irã uma mulher andar na rua com a cabeça descoberta.  Vídeos divulgados nas redes sociais mostram que uma escola corânica foi queimada ontem. Fica muito claro que existe uma grande insatisfação com a imposição sistemática da sharia sobre a população, embora seja cedo para se dizer que o regime cairá.

Culpa dos EUA e Israel?

Segundo observadores internacionais, há muitos indicativos que os protestos no Irã continuarão a crescer nos próximos dias. Ontem, a TV estatal informou, sem dar maiores detalhes, que “Manifestantes armados tentaram assumir estações de polícia e bases militares, mas enfrentaram séria resistência das forças de segurança”.

Como medida emergencial, o Irã bloqueou o acesso ao Instagram e o aplicativo de mensagens Telegram, muito popular no país, que seriam usados pelos ativistas para se organizarem. As autoridades do país onde não há liberdade de imprensa acusam grupos “contrarrevolucionários” estrangeiros de recorrer às redes sociais para convocar a população a ir às ruas e a usar coquetéis molotov e armas de fogo.

O presidente Donald Trump usou suas redes sociais para manifestar seu apoio “ao povo iraniano”, dizer que “o mundo está observando a situação” e pedir que a comunidade internacional apoie os manifestantes “que lutam contra a corrupção e contra a violação de direitos humanos”. O Departamento de Estado dos EUA emitiu uma crítica forte ao regime iraniano numa declaração na sexta-feira, dizendo que os líderes do país “transformaram um país rico com uma rica história e cultura num Estado ladino e economicamente esgotado cujas principais exportações são a violência, o derramamento de sangue e o caos.”

O presidente Rouhani parece perdido. Primeiramente, disse que os protestos foram incentivados pela Arábia Saudita, país que vive um clima de guerra fria com o Irã por causa dos conflitos no Iêmen. Depois, reclamou que os Estados Unidos e Israel estavam tentando desestabilizar o país.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, gravou um vídeo rebatendo acusações de que seu país estaria envolvido de alguma forma. “Ouvi a declaração do presidente Rouhani de que Israel está por trás dos protestos no Irã. Isso não é apenas falso. É risível”.

O premiê também criticou a União Europeia que colaborou muito, juntamente com o governo Obama, para que o Irã chegasse a essa situação: “Infelizmente, muitos governos europeus observam em silêncio enquanto os heróicos iranianos são espancados nas ruas”. Com informações das Agências, Gatestone e IranWire



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