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Sóstenes Cavalcante protesta durante evento anti-Israel na Câmara

Dia Mundial de Al-Quds foi lembrado no Congresso, com participação de lideranças islâmicas


Sóstenes Cavalcante
Sóstenes Cavalcante discursando na Câmara.

O “Dia Mundial de Al-Quds” é uma espécie de comemoração realizada em diversas partes do mundo na última sexta-feira do Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos. Idealizada pelo regime iraniano em 1979, seu objetivo era reforçar o discurso de que Jerusalém – cujo nome em árabe é Al Quds – pertence aos palestinos e a todos os islâmicos.

Celebrada em Teerã dia 8, este ano ela foi considerada “especial” pelo presidente do Irã, Hassan Rohani. Como ocorre anualmente, seus participantes carregaram faixas e cartazes em prol da Palestina, gritaram palavras de ordem contra Israel, queimaram bandeiras israelenses e americanas e uma efígie do presidente dos EUA, Donald Trump.

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Segundo Rohani: “O Dia de Al-Quds deste ano é especial; além de ser o 27° aniversário da ocupação da terra palestina, presenciamos como Jerusalém foi reconhecida capital do regime sionista pelos Estados Unidos contra todas as regras internacionais”.

Essa conhecida manifestação anti-Israel, com pesada carga antissemita, chegou por aqui bem menos agressiva, mas mesma assim preocupante. Ocorreu na manhã desta quinta-feira (14), uma sessão solene na Câmara dos Deputados, presidida pelo deputado Evandro Roman (PSD/PR), que preside o grupo de amizade Brasil-Irã.

Estiveram presentes na solenidade Saiéd Ali Saghaiâ (Embaixador do Irã), Ibrahim Alzeben, (Embaixador da Palestina), Ahmed Cherrada (Presidente do Instituto Brasil-Palestina) e Ualíd Rabá (da Federação Árabe-Palestina do Brasil).

Durante a solenidade, o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM/RJ) teve uma postura corajosa em seu discurso. Lembrou que o Brasil, como nação democrática, respeita a todos os povos, inclusive os povos árabes, mas fez ressalvas.

Sóstenes cobra de embaixadores árabes reciprocidade aos cristãos brasileiros

O Brasil é uma nação democrática, que respeita todos os povos em suas relações diplomáticas. Nós queremos que o Oriente Médio seja um lugar onde todos os povos habitem e tenham paz.Na Sessão Solene em Homenagem ao Dia Mundial de Jerusalém, pedi que haja reciprocidade e que todos os países árabes permitam a entrada e ação de missionários cristãos, como o Brasil também recebe a todos. Ainda compartilhei um sonho: que alguns desses países troquem a teocracia pela democracia.#diamundialdeJerusalem #camaradeputados #sessãosolene #democracia #euacredito

Posted by Sóstenes Cavalcante on Thursday, June 14, 2018

“Sou evangélico, sou teólogo e pastor. Com respeito participo dessa sessão, mas tenho algumas questões. Creio que uma das bases para as relações internacionais é a reciprocidade, aqui no Brasil recebemos sacerdotes Islâmicos, somos abertos as mesquitas. Nunca o nosso país eximirá nenhuma censura a quem quer que seja, que professe islamismo ou qualquer outra religião, pois isso é base pilar da democracia”.

Em seguida, pediu “reciprocidade” dos países árabes, pois “lamentavelmente, a maioria não respeita, não dão vistos a missionários cristãos”. Apelando aos embaixadores presentes, disse não concordar com a proibição do livre anúncio do cristianismo nas nações de maioria islâmica e citou Israel como exemplo de tolerância no Oriente Médio.

Em contrapartida, o deputado Ivan Valente (PSOL/SP) fez um discurso em defesa dos palestinos, afirmando que seu partido “tem lado”. Segundo ele, seria “o lado da verdade”, pois que a verdade está “com o povo palestino e a sua luta justa de libertação”.

O PSOL, juntamente com PCO, PSTU e PCdoB possuem um histórico de manifestações contra Israel e pró-Palestina.

Associação sionista também protesta

A Associação Sionista Brasil-Israel (ASBI) emitiu uma nota de repúdio ao evento no Congresso.

“A ASBI repudia o pronunciamento do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), que disse em plenário que o “Dia Mundial de Al-Quds” é uma data que deve servir como reconhecimento da comunidade internacional pela manutenção da paz no Oriente Médio. 

Tentar empurrar goela abaixo, um “Dia Mundial de Al-Quds”, desprezando a data oficial do Yom Yerushalaim (Dia de Jerusalém), celebrada por todos os judeus dentro e fora Israel, não contribui em nada para a paz, apenas açoda as relações entre os dois povos, pois dá status de negociador ao Hamas, uma facção terrorista que usa o próprio povo como escudo; que se recusa a reconhecer Israel como país soberano e Jerusalém como sua capital indivisível; que é incapaz de educar seus filhos para a paz, obrigando-os a se engajarem numa jihad, desde a mais tenra idade. Esta data, aliás, foi criada pelo Irã, um país sempre envolvido em terrorismo e que vive ameaçando varrer Israel do mapa.

O Brasil, mais uma vez escolhe ficar ao lado de um país agressor, que está na contramão de todos os esforços para se buscar a paz mundial. Urge que as relações diplomáticas entre o Brasil com os EUA e com Israel mudem drasticamente”.




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