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Takayama tenta barrar doação de R$ 792 mil para a Palestina

George Hilton, ligado à Universal, foi favorável


Hidekazu Takayama
Hidekazu Takayama

A possibilidade de o Brasil doar R$792 mil para a Palestina, que seriam usados na reforma da Basílica da Natividade, em Belém, vem sendo objeto de polêmica desde janeiro, quando Rodrigo Maia (DEM/RJ) assinou a Medida Provisória 819 com esse propósito.

Contudo, a crise econômica no país e a falta de transparência na maneira como a Autoridade Palestina lida com doações geraram protestos nas redes sociais.

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No início de fevereiro, após uma ação popular ser impetrada, a 7ª Vara da Justiça Federal de Brasília, determinou a suspensão da MP. O governo recorreu e o Congresso retomou o processo legal para a doação, criando uma Comissão Mista para apreciar a MP. Na reunião ocorrida na tarde desta terça-feira (27), o deputado federal Pastor Takayama (PSC/PR), líder da Frente Parlamentar Evangélica, conseguiu impedir a aprovação, pedindo vistas ao relatório.

O relator, senador Humberto Costa (PT/PE), apresentou seu voto favorável à doação, onde destacou que haveria “relevância e urgência” no pedido. Curiosamente, teve o apoio do presidente da Comissão, deputado George Hilton (PSB/MG) que foi pastor da Igreja Universal.

A postura de Takayama foi enfática, sendo o único membro presente a dizer que não concordava com a doação e chamou atenção para um assunto pouco divulgado pela mídia. “O Brasil deve quase 4 trilhões de reais, como vai doar? É querer fazer cortesia com o chapéu alheio. A questão é que existem inúmeras notícias de que a Palestina usa doações para financiar terrorismo”.

A votação, que parecia certa pela aprovação, foi suspensa até a próxima semana. Takayama disse que irá conversar com outros membros da bancada para que a doação não ocorra.

“Quando a MP foi assinada, eu mandei ofício ao Itamaraty questionando, as respostas que obtive, não foram claras […] O mínimo que quero é transparência”, afirmou.

Amigos da Palestina

Em vários aspectos o governo de Michel Temer busca distanciamento dos anos que o país foi governado pelo PT. Porém, na política externa mantém uma posição contrária a Israel, tendo votado contra o Estado judeu dezenas de vezes nas assembleias da ONU e da UNESCO.

Na comissão, ficou clara a postura do senador Humberto Costa, tendo em vista a conhecida ligação de seu partido com a Autoridade Palestina. Em 2010, o governo Lula, além de reconhecer a Palestina como nação independente, doou-lhe 10 milhões de dólares. Apesar de ser pastor da Universal, denominação reconhecidamente pró-Israel, o deputado George Hilton (ex-ministro de Dilma) foi favorável a doação aos palestinos.

Falta de Transparência

Os termos da doação são incertos. O colunista de Gospel Prime Roberto Grobman, que é judeu e vive em Israel, esteve na Basílica divulgou um vídeo mostrando que as obras já estavam terminadas quando Rodrigo Maia assinou a MP. Uma placa na entrada do templo dava conta que a restauração teve início em setembro de 2013 e foi concluída em dezembro de 2017. Após a denúncia, que obteve milhares de visualizações nas redes sociais, um adesivo foi colocado sobre a placa, alterando os prazos.

Conforme amplamente noticiado na imprensa, a restauração tem um custo de US$ 20 milhões e o Brasil é um dos países que decidiram participar do projeto. Esse seria uma ação em conjunto com a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), que considera a Basílica “Patrimônio Histórico da Humanidade”.

Ao questionar o Itamaraty sobre como seria feita a prestação de contas desse dinheiro, o Gospel Prime recebeu como resposta um link para o site da Autoridade Palestina (AP), que supervisionaria a obra.

Contatado pela redação, a resposta oficial, assinada por Imad Nassar, informa que a prestação de contas seria feita pela empresa de auditoria Deloitte & Touche. No site oficial dessa empresa, contudo, não existe nenhuma informação sobre as obras.

Até o fechamento dessa matéria nem o deputado George Hilton nem a Deloitte responderam a tentativa de contato para comentar.




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