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Tim Keller pede que cristãos se preocupem mais com “justiça social”

"Função da igreja não é apenas evangelizar, mas também amar ao próximo", lembra o teólogo


Tim Keller, teólogo reformado conhecido mundialmente por seus livros, vem advogando nos últimos meses que a “justiça social” é compatível com os ensinamentos do cristianismo. Usando a história do profeta Jonas, tema de sua obra mais recente, como um paradigma, o pastor presbiteriano acredita que a Igreja precisa fazer uma reflexão profunda sobre suas motivações.

“As igrejas evangélicas sempre expressam preocupação com os perdidos, mas quando muitos cristãos, quando evangelizam os descrentes, são severos e impositivos. Vejamos, embora Jonas tenha ido a Nínive para pregar, não amava a cidade. E ele não amava as pessoas, não as amava nem as respeitava. Claramente, uma das mensagens do livro é que pregar para as pessoas não é o suficiente, também deveríamos respeitar, escutar e cuidar dos incrédulos”, argumenta.

Keller diz que se a Igreja não mostrar um amor visível, em ações práticas”, merece “a crítica do mundo”. Segundo ele, embora sejamos muito ativos quando se trata de questões que envolvem homossexualidade e aborto, não demonstramos a mesma preocupação com o combate à pobreza, por exemplo.

“Na parábola do bom samaritano, Jesus nos mostra um homem que oferece ajuda social, material, médica e econômica a um homem de raça e religião diferentes da sua. Então nos diz “vá e faça o mesmo” “, lembra o teólogo. Portanto, a conclusão, assegura, é que “os cristãos devem não apenas evangelizar as pessoas, mas também amar ao próximo. Em outras palavras, temos que ajudar nosso próximo, mesmo que eles não sejam cristãos”.

Ao mesmo tempo, Keller destaca que a politização dos ensinamentos bíblicos acaba prejudicando a Igreja. “As pessoas que dizem que o cristianismo não é compatível com a justiça social geralmente referem-se a governo com economia centralizada, altos impostos, redistribuição de riqueza, que opera em uma espécie de economia socialista. Não é isso, porque a Bíblia fala sobre a importância da propriedade privada”, ressalta.

A preocupação do teólogo é que, em meio a uma batalha pela terminologia correta, algumas questões perdem seu foco. “Os cristãos devem se preocupar com os necessitados, os marginalizados… devemos ser bons samaritanos. Eu chamaria isso de “justiça social”. Se você não quer chamar assim, tudo bem. Acho que todos devemos concordar que temos que fazer isso, não é?”, encerra.

 




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