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Visita de Aloysio Nunes a Israel não desfaz o mal causado àquele país pelo governo Temer

Nenhum passo concreto foi dado que mostra uma mudança real de postura do Brasil


Aloisyo Nunes e Netanyahu
Crédito da foto: Arthur Max/AIG-MRE

A visita do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira, a Israel começou na segunda-feira (26) e acabou hoje (29). Faz parte de um breve tour que vai ate do dia 6 de março e ainda contará com paradas nos territórios palestinos, na Jordânia e no Líbano.

Trata-se da primeira visita de chanceler brasileiro a Israel em 8 anos. A última foi do ex-ministro Celso Amorim, que acompanhou Lula em visita à região, em julho de 2010. Apesar do longo tempo, as relações entre os dois países não melhoraram de lá para cá. Pelo contrário, nas votações nas assembleias das Nações Unidas e nas reuniões da UNESCO, a opção da diplomacia brasileira foi continuamente em desfavor de Israel, chegando a afirmar que Jerusalém é “território ocupado”.

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A ex-presidente Dilma Rousseff, ardente defensora da causa palestina, causou ainda um imbróglio diplomático em 2015, ao rejeitar a indicação de Dani Dayan como embaixador israelense, o que deixou o Brasil dois anos sem um representante do governo de Benjamin Netanyahu.

Durante seu encontro com o primeiro-ministro israelense, Aloysio ouviu que “Israel está muito interessado em fortalecer os laços com o Brasil e acredita em seu potencial”. No material divulgado à imprensa, consta que a visita do chanceler brasileiro visava inaugurar “uma nova etapa nas relações bilaterais”.

A nota publicada no site do Itamaraty da conta apenas das visitas de cortesia, incluindo o Museu do Holocausto e o Centro Cultural Brasileiro, em Tel Aviv. Também foi assinado um acordo na área da Previdência Social, que atinge os aposentados brasileiros que vivem em Israel e vice-versa.

Estranhamente, o ministro brasileiro se encontrou tanto com o presidente Reuven Rivlin, quanto com o líder da oposição, Isaac Herzog, o dirigente do Partido Trabalhista.

Em contato com o Itamaraty por email, o portal Gospel Prime questionou se durante os encontros seriam tratadas questões relativas aos votos do Brasil contra Israel e o reconhecimento de Jerusalém como capital. A resposta foi uma repetição dos assuntos divulgados na nota à imprensa e a justificativa que o encontro com Herzog “foi proposto pelo Ministério de Relações Exteriores de Israel”. Também não foi divulgada a pauta a ser tratada na visita de Aloysio Nunes   à Palestina, em especial depois da controversa doação do Brasil à Autoridade Palestina, que seria usada na reforma da Basílica da Natividade, em Belém.

O mal causado pelo governo Temer

Em que pese a tentativa do governo de Michel Temer, representado pelo Ministro das Relações Exteriores, de tentar uma aproximação com Israel, isso não apaga o mal causado pelo governo atual, que na verdade apenas continuou a agenda do Partido dos Trabalhadores, francamente favorável aos inimigos históricos do Estado judeu. Afinal, foram cerca de 40 votos contrários na UNESCO e na ONU, desde que assumiu no lugar de Dilma Rousseff.

A Associação Sionista Brasil-Israel divulgou uma nota pública, repudiando a visita do chanceler Aloísio Nunes pelos seguintes motivos:

1. O Brasil votou contra Jerusalém ser capital de Israel;
2. O governo é incapaz de condenar as ações terroristas do Hamas contra alvos civis israelenses;
3. Nosso país dá muito mais importância ao relacionamento com a Autoridade Palestina, que rejeita fazer a paz com Israel.
4. Aloysio pertence a um partido que está alinhado com a esquerda.
5. Por estar em final de mandato, p ministro não demonstrando nenhum interesse em se mostrar um verdadeiro amigo de Israel;
6. A visita apenas coloca na vitrine a CONIB e, ao que parece, o cônsul honorário, que são sempre céleres em atacar o deputado Jair Bolsonaro, este sim, um amigo declarado de Israel e dos judeus, mas muito lentos em reconhecer os inimigos de Israel dentro da política nacional que estão filiados ou apoiam partidos que pregam o fim de Israel ou o boicote aos produtos israelenses.

A indignação dessa associação de judeus brasileiros reflete a percepção de que não foi dado nenhum passo concreto para a melhora significativa na relação bilateral.

Em meados do ano passado, o presidente Reuven Rivlin fez uma crítica aberta à postura do governo Temer. “Não há um só brasileiro que não saiba da conexão entre o povo judeu e Jerusalém. Nem mesmo a Unesco pode mudar isso. A decisão deveria ser esquecida, deveria realmente ser modificada e eu peço que o governo brasileiro reconsidere seu voto”, afirmou.

Nem Michel Temer nem Aloysio Nunes comentaram o pedido desde então.

Logo após a decisão anunciada por Donald Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, o ministério das Relações Exteriores do Brasil mostrou-se contrário à decisão do presidente americano de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

Em nota, seguiu a posição das Nações Unidas e declarou que “o status final da cidade de Jerusalém deverá ser definido em negociações que assegurem o estabelecimento de dois Estados vivendo em paz e segurança dentro das fronteiras. internacionalmente reconhecidas”. Na prática, isso significa que a postura é a mesma do Partido dos Trabalhadores, favorável à divisão de Jerusalém, com a porção Oriental entregue a um futuro Estado da Palestina.

Afinal, desde o governo Dilma os passaportes de brasileiros que possuem dupla nacionalidade e nasceram em Jerusalém não trazem o reconhecimento que a cidade pertença a Israel.



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